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CÉSAR NUNES, VP DA ATRIO HOTÉIS: “ECONOMIA, DO PONTO DE VISTA HOTELEIRO, ESTÁ ESTABILIZADA”

César Nunes, VP de Marketing e Vendas da Atrio Hotéis, concedeu uma entrevista ao DIÁRIO durante a WTM Latin America, realizada de 3 a 5 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo. César estava acompanhado pela coordenadora de marketing, Roberta Vieira e conversou com o editor do DT, jornalista Paulo Atzingen.

A Atrio Hotel Management é especializada no desenvolvimento, implantação e operação de hotéis, com atuação em todo o Brasil soma mais de 70 empreendimentos administrados e mais de 11 mil quartos em 48 cidades e 13 estados, em associação com marcas hoteleiras nacionais e internacionais. Confira abaixo a entrevista:


DIÁRIO – César, novo ano, vida nova, novas esperanças no mercado imobiliário, nas incorporações... Como a Atrio vê 2023?


CÉSAR NUNES: A pergunta é muito boa, porque no ano passado ao montarmos o orçamento, em virtude do cenário político de indecisão, estávamos muito preocupados com o que podia acontecer. Independente de quem viesse a assumir como o político, já que toda a vez que você tem uma incerteza de quem vai assumir, gera uma certa instabilidade na economia. No entanto, surpreendentemente, tivemos um primeiro trimestre muito bom. Então, foi um primeiro trimestre em que conseguimos ficar até um pouco acima do orçado. Estamos observando um mercado voltando a analisar investimento hoteleiro. A gente teve aí, por exemplo, o boom da multipropriedade dos estúdios, então começamos a voltar a ter o que chamamos de greenfield, que é a construção de prédios para a hotelaria. Ou seja, um negócio novo.


DIÁRIO – As conversões também seguem nessa perspectiva?


CÉSAR NUNES: Sim. E, fora isso, a gente começa a enxergar oportunidades de conversões. Por quê? Como a economia do ponto de vista hoteleiro está estabilizada, ou seja, os hotéis estão voltando a performar e a rentabilizar, começamos a ter também um grupo de investidores analisando os resultados que eles estão tendo com demais operadoras hoteleiras e isso tem gerado oportunidade para a gente de conversão. A gente fez recentemente uma conversão; assumimos um outro hotel em Campinas, que é o nosso novo ibis Styles Campinas Alphaville, e temos algumas negociações em frente. Então, o cenário é positivo. Um grande desafio para esse ano está sendo, (e até um trabalho muito forte do FOHB, junto com outras associações), é a manutenção da Perse, que foi o programa de recuperação do setor, e a hotelaria foi uma das beneficiadas, e que tem ajudado, mas a gente precisa que isso continue, já que é um programa aprovado ano passado e que tem duração de 5 anos.


DIÁRIO – A Accor continua sendo a principal parceira de vocês? Ela implementou muito ibis Styles, ibis Budget, e parece que a pegada dessa rede é trabalhar mais as marcas de luxo. A Atrio está também com essa visão?


CÉSAR NUNES: Sim, a Accor é nossa principal parceira. Então, a tua pergunta é interessante, porque assim, a gente desenvolveu produtos de luxo nos últimos anos, fizemos o LK Design Hotel, em Florianópolis, que é um produto que não leva a marca Accor, e é uma gestão 100% Atrio, é uma marca própria dos investidores. Fizemos a conversão do Grand Mercure, em Curitiba, que era o antigo Rayon. Agora, a gente costuma olhar muito e estudar que mercado estamos atuando, que perfil de produto e marca faz sentido para determinado mercado. Não que a gente não esteja nessa onda. A gente vem, por exemplo, analisando hotéis em capitais para produtos lifestyle e up, porque são mercados onde teriam oportunidades de implantação. Continuamos desenvolvendo ibis, ibis Budget, ibis Styles, que são marcas fortes. Como eu comentei, acabamos de fazer uma conversão de ibis Styles, e temos o objetivo de desenvolver no lifestyle e no luxo, mas depende muito do mercado, do perfil do investidor, e do retorno financeiro que esse hotel vai ter, tanto para o investidor quanto para a Atrio. Até porque a Atrio só é remunerada em cima do resultado. Nos preocupamos muito em em desenvolver o produto certo.


A gente olha todo o portfólio e fala: “que mercado faz sentido? Que tipo de produto?” É muito relativo. Vou te falar que a gente não colocaria, por exemplo, um produto luxo, numa cidade terciária, que não tivesse ao menos um ibis implantado. Então é muito caso a caso, e a depender do retorno do investimento.


Entrevista com Cesar Nunes aconteceu na sala de imprensa da WTM LA 2023


Cesar Nunes, VP de marketing e vendas da Atrio Hoteis, na sala de imprensa da WTM (Crédito: Eric Afonso - VIP 360º)

DIÁRIO – César, a gente percebe que os grandes centros estão, não vou dizer saturados, mas os grandes empreendedores estão indo para cidades de médio porte, a partir de 300 mil habitantes. Isso é uma visão também do mercado hoteleiro, do mercado de implantação?


CÉSAR NUNES: Sim, é uma visão. Mas se você me perguntar, por exemplo: “Ah, São Paulo tem espaço para mais hotel?” Eu lhe respondo, que “Sim, tem”. Veja um exemplo em períodos de grandes eventos, São Paulo estoura, concorda? Falta disponibilidade. Mas é muito mais difícil você conseguir desenvolver. Por quê? Porque você concorre com o mercado imobiliário, terrenos muito valorizados e um complexo sistema de incorporação, que vai fazer uma conta que faz sentido: é para o mercado hoteleiro, é para o mercado residencial, é para o mercado corporativo?.


Então, a saída para as cidades secundárias, tem acontecido de forma muito forte, e a gente vê esse movimento. Praças como Jundiaí, Campinas os hotéis estão indo muito bem. Em São José dos Pinhais, por exemplo na Grande Curitiba, onde temos três hotéis, a gente percebe esse movimento sendo muito forte. Nessas cidades secundárias o movimento vai aumentar. Grandes varejistas, empresas de tecnologia estão indo para lá. Muitas vezes você quer ficar próximo do grande centro, mas você não quer ficar no centro do grande centro, concorda? Então eu acho que esse movimento tende a acontecer. E essas cidades devem crescer a demanda do hoteleira ainda mais.


DIÁRIO – César, neste ano de 2023, a Atrio fecha o portfólio com quantos hotéis?


CÉSAR NUNES: Então Paulo, assim, hoje, entre assinados e conversões, a gente fecha com 80 hotéis. Mas tem muita coisa em negociação para conversão, ou seja, produtos que já existem e que podem entrar para o nosso portfólio de gestão ainda esse ano. Então, a gente fecha com no mínimo 80.


Fonte: https://diariodoturismo.com.br/cesar-nunes-vp-de-marketing-e-vendas-da-atrio-hoteis-economia-do-ponto-de-vista-hoteleiro-esta-estabilizada/

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